Após um longo período de desafios e desindustrialização, a indústria brasileira começa a dar sinais de recuperação, impulsionada por maior disponibilidade de crédito, programas de apoio a inovação e à produtividade, depreciação acelerada e demanda crescente, em razão da baixa taxa de desemprego e maiores rendas das famílias. Investir neste cenário, significa ampliar a produtividade, fortalecer a competitividade e garantir um crescimento mais robusto e duradouro.
O Brasil atravessa um momento estratégico. O avanço de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento da indústria e ao crescimento econômico, aliado à resiliência do empresariado, tem criado um ambiente propício para investimentos direcionados à modernização, inovação e ampliação da capacidade produtiva.
Feiras setoriais como a Plástico Brasil, a Agrishow e a Expomafe refletem essa tendência, consolidando-se como grandes plataformas para o intercâmbio de conhecimento, a geração de negócios e a difusão de novas tecnologias. Esses encontros são verdadeiros termômetros, indicativos de tendências, proporcionam um ambiente ideal para troca de experiências, prospecção de parcerias e ampliação de mercados.
A Plástico Brasil, por exemplo, destaca-se como o principal evento nacional voltado à transformação do plástico. A indústria manufatureira tem sido constantemente desafiada a inovar e adotar soluções mais eficientes e sustentáveis, e a feira permite que empresários e profissionais conheçam as mais recentes tecnologias para esses fins. Além disso, a digitalização dos processos produtivos e a automação têm sido temas recorrentes, mostrando que a modernização é essencial para a competitividade da indústria do plástico.
Já a Agrishow, um dos maiores eventos do agronegócio mundial, reforça a importância da mecanização agrícola e das inovações tecnológicas para aumentar a produtividade no campo. O Brasil é um dos principais players da agroindústria global, e a mecanização é primordial para garantir maior produtividade, reduzir custos operacionais e promover práticas mais sustentáveis. A conectividade no campo e o uso de inteligência artificial na produção e gestão agrícola são alguns dos aspectos que têm ganhado destaque e mostram como a digitalização está revolucionando o setor.
Por sua vez, a Expomafe, feira referência no setor de máquinas-ferramenta e automação industrial, evidencia as tendências para renovação, modernização ou ampliação do parque fabril brasileiro. A busca por eficiência, qualidade e redução de desperdícios tem impulsionado a adoção de robótica, manufatura aditiva e softwares de controle avançado. As empresas que investem nessas tecnologias estão à frente na corrida pela competitividade, uma vez que conseguem produzir com maior precisão, menos custos e maior sustentabilidade.
A indústria de transformação brasileira, que já presentou 33% do PIB (década 70 e 80), passou por um processo de redução de sua participação na economia, chegando a 14,4% atualmente (2024). Ainda assim, o setor continua estratégico para o desenvolvimento do país, gerando milhões de empregos diretos e indiretos, impulsionando as cadeias produtivas e a prestação de serviços sofisticados. O desafio está em reverter essa trajetória por meio de ganhos de competividade no mercado nacional e internacional.
A indústria de máquinas e equipamentos, em especial, é um elo estratégico para o aumento da competitividade da economia nacional. Como motor da inovação, difusão tecnológica e ganho de produtividade, nosso setor é determinante na modernização da indústria como um todo. Com um ambiente mais favorável ao investimento e para o avanço tecnológico, como o observado no último ano, os investimentos cresceram 7,3% e a participação no PIB subiu para 17%.
A confiança no setor produtivo é reforçada com investimentos estratégicos. O Brasil tem todas as condições para consolidar sua posição no cenário industrial global, com um ambiente de negócios adequado e um cenário prospectivo de crescimento econômico. Empresários e gestores manterão papel ativo na modernização de suas operações.
O momento exige a renovação do parque industrial, expandir a adoção de tecnologias sustentáveis e fortalecer a indústria como um dos principais motores do desenvolvimento econômico.
O crescimento sustado e sustentável da economia brasileira depende de investimentos inteligentes, que tragam ganhos de produtividade, eficiência e competitividade. Cabe aos líderes públicos e privados a transformação dessa perspectiva positiva em realidade concreta, apostando na inovação, na capacitação e na modernização como alicerces de um futuro mais próspero e competitivo.
Gino Paulucci Jr. é engenheiro, empresário e presidente do Conselho de Administração da ABIMAQ